quarta-feira, 13 de maio de 2015

Turismo e Sociedade

          Devido ao seu caráter interdisciplinar, o turismo possui uma vasta amplitude de abordagens nas relações estabelecidas em nossa sociedade moderna. A massificação desta prática teve seu início no século XIX com a revolução industrial, determinante na transformação das concepções de um mundo basicamente agrário, alterando econômica, política e socialmente a civilização européia da época e ditando normas de desenvolvimento nos dias de hoje, segundo os padrões capitalistas.
            O que antes era exclusividade das elites, nobreza e clero, passou a ser também benefício das classes trabalhadoras, principalmente após a implementação dos direitos trabalhistas, que previam décimo terceiro salário e férias remuneradas. Todas as partes do mundo passaram a ganhar importância no imaginário da humanidade e foram alcançadas por um número muito grande de pessoas com a invenção da máquina a vapor, do trem, do automóvel e posteriormente na baixa de custos dos planos de viagens aéreas. O que se limitava a visitação de lugares sagrados, trocas comerciais e os grand tours europeus, tornaram-se uma busca por novas experiências e relaxamento das tensões da vida cotidiana.
            Segundo Zilda Matheus, “a cidade, portanto, não é apenas um centro de produção, mas também um lugar em que a sociedade se desenvolve frui certa hospitalidade. E em relação a essa dimensão que as ideias de bem-estar coletivo e de interesse público parecem aplicar-se mais diretamente”.  Como sendo uma área das ciências sociais aplicadas, o turismo evolui conforme a humanidade transforma suas relações com o mundo. O que era importante numa determinada época, posteriormente se torna obsoleto, uma forma de atuar em determinado setor tende a ser mudada de acordo com as exigências que as organizações sociais passam a perceber os fenômenos que as rodeiam. E assim também ocorre no turismo.
            O turismo erroneamente é tratado como indústria sem chaminé, mas na verdade o turismo é uma rede complexa de atividades integradas, ou seja, ele não se limita a um espaço ou objeto, há a interação com o meio ambiente, produto e sociedade. O recurso natural ou não natural quando é desenvolvido de modo responsável, visando os equipamentos turísticos, o seu acesso fácil – imagens, informações, meios de transportes, acessibilidade e uma infraestrutura adequada para acomodar os visitantes, esse recurso se transforma em um atrativo turístico. E acrescentando as técnicas de venda e marketing para promover e divulgar o atrativo turístico, ele se transforma em um produto turístico. As divisas ficam no local onde a atividade turística é realizada, contrariando a lógica tradicional da exportação. Onde na fábrica confecciona o produto e o exporta. Já no turismo o produto não é exportado, o turista ou excursionista é que se descola.
            Agora, uma das atividades turísticas mais cobiçadas pelo mundo é a oportunidade de entrar em contato direto com a cultura “diferente”. O Brasil, por exemplo, deixou de ser apenas um local de frequentar praias e tomar sol. A vida dos moradores de periferias urbanas atrai o olhar de diversas partes do mundo, movimentando ainda mais o turismo no país. Com a evolução e o desenvolvimento de pesquisas e trabalhos acadêmicos descobriu-se que além do local visitado, a cultura da população e a sua realidade passam a ser valorizadas, conferindo assim um poder a essas pessoas, antes marginalizadas, de adquirir uma forma de subsistência e afirmação cultural. Essa inclusão garante o bem-estar social buscado nas cidades e na possível solução de problemas inerentes da vida em sociedade.
            O próprio turista aprende novas formas de cultura e transforma seu modo de se relacionar com o mundo em sua volta. Permitindo assim que grandes barreiras que assombram nossa civilização há muito tempo, como o preconceito, a intolerância e a imposição cultural, sejam demolidos pouco a pouco até que finalmente sejam extirpados da mentalidade humana.
            Nesse processo, percebe-se uma verdadeira troca de valores que permitem a ampliação das perspectivas sobre o mundo e no relacionamento social. O turismo é mais do que simples forma de aquisição de capital estrangeiro e promoção do imaginário construído sobre um determinado lugar. Ele é uma verdadeira arma de transformação e crescimento da humanidade, atuando diretamente na forma de estrutura fundamental para sua existência: a sociedade.
            O artigo 180 da Constituição Federativa do Brasil diz: “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico.” Para o turismo acontecer em uma determinada área, o planejamento urbano e político do turismo deve está centrado no equilíbrio o econômico e o social. Além de observar as opiniões dos diversos pontos de vistas, entre eles:

         O Setor Público  tem a obrigação de promover e incentivar o turismo na região.
         O Setor Privado fomenta a economia e realizam a atividade turística através da prática.
    Os Residentes locais precisam ser ouvidos e participar do processo decisório da atividade turística.
   Os Turistas e Excursionistas são pessoas que saem de seus lares para conhecer outras localidades, sua história e cultura ou simplesmente desfrutar de seu lazer.
     A Universidade é responsável em produzir conhecimento através de pesquisas e orientar e planejar a atividade turística.

            O planejamento da política de turismo é fundamental para o desenvolvimento da localidade e do bem estar dos residentes, turistas e excursionistas. O qual deve ser feito de forma participativa e descentralizada.
            E para alcançar essa promoção social, no artigo 217 § 3º diz: “O poder público incentivará o lazer, como forma de promoção social.” É através do planejamento e a diversificação de áreas de lazer que atingirá o equilíbrio buscado.
            Estudar turismo é uma forma de evoluir em conhecimento sobre a mentalidade humana, suas estruturas e motivações. É um meio de trabalhar não somente com os visitantes, mas ainda com o local visitado e os anfitriões, dando valor e respeitando sua cultura, além de batalhar pela melhoria nos seus padrões de vida. Enfim, transpassa as salas de aula e os professores, sendo maior que um simples conhecimento acadêmico. É na verdade um construtor de seres humanos transformadores e em constante transformação junto à evolução da humanidade.
            Nós representantes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro estamos aqui hoje para dizer a vocês que o turismo que estamos estudando na academia é muito maior que o comentado nos veículos de comunicação. Podem estar certos de quando estivermos colocando em prática nossos conhecimentos, não abandonaremos nossas convicções. Lutaremos para que seja realizada uma atividade turística realmente planejada e desenvolvida em prol de todos.

                                                                                                 
                                                                                               Matheus de Castro P. Souza

                                                                                                 Michel Guimarães de Souza

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