Devido
ao seu caráter interdisciplinar, o turismo possui uma vasta amplitude de abordagens
nas relações estabelecidas em nossa sociedade moderna. A massificação desta prática
teve seu início no século XIX com a revolução industrial, determinante na
transformação das concepções de um mundo basicamente agrário, alterando
econômica, política e socialmente a civilização européia da época e ditando
normas de desenvolvimento nos dias de hoje, segundo os padrões capitalistas.
O que antes era exclusividade das
elites, nobreza e clero, passou a ser também benefício das classes trabalhadoras,
principalmente após a implementação dos direitos trabalhistas, que previam
décimo terceiro salário e férias remuneradas. Todas as partes do mundo passaram
a ganhar importância no imaginário da humanidade e foram alcançadas por um
número muito grande de pessoas com a invenção da máquina a vapor, do trem, do
automóvel e posteriormente na baixa de custos dos planos de viagens aéreas. O
que se limitava a visitação de lugares sagrados, trocas comerciais e os grand
tours europeus, tornaram-se uma busca por novas experiências e relaxamento das
tensões da vida cotidiana.
Segundo Zilda Matheus, “a cidade,
portanto, não é apenas um centro de produção, mas também um lugar em que a
sociedade se desenvolve frui certa hospitalidade. E em relação a essa dimensão
que as ideias de bem-estar coletivo e de interesse público parecem aplicar-se
mais diretamente”. Como sendo uma área
das ciências sociais aplicadas, o turismo evolui conforme a humanidade
transforma suas relações com o mundo. O que era importante numa determinada
época, posteriormente se torna obsoleto, uma forma de atuar em determinado
setor tende a ser mudada de acordo com as exigências que as organizações sociais
passam a perceber os fenômenos que as rodeiam. E assim também ocorre no
turismo.
O turismo erroneamente é tratado
como indústria sem chaminé, mas na verdade o turismo é uma rede complexa de
atividades integradas, ou seja, ele não se limita a um espaço ou objeto, há a
interação com o meio ambiente, produto e sociedade. O recurso natural ou não
natural quando é desenvolvido de modo responsável, visando os equipamentos
turísticos, o seu acesso fácil – imagens, informações, meios de transportes,
acessibilidade e uma infraestrutura adequada para acomodar os visitantes, esse
recurso se transforma em um atrativo turístico. E acrescentando as técnicas de
venda e marketing para promover e divulgar o atrativo turístico, ele se
transforma em um produto turístico. As divisas ficam no local onde a atividade
turística é realizada, contrariando a lógica tradicional da exportação. Onde na
fábrica confecciona o produto e o exporta. Já no turismo o produto não é
exportado, o turista ou excursionista é que se descola.
Agora, uma das atividades turísticas
mais cobiçadas pelo mundo é a oportunidade de entrar em contato direto com a
cultura “diferente”. O Brasil, por exemplo, deixou de ser apenas um local de
frequentar praias e tomar sol. A vida dos moradores de periferias urbanas atrai
o olhar de diversas partes do mundo, movimentando ainda mais o turismo no país.
Com a evolução e o desenvolvimento de pesquisas e trabalhos acadêmicos
descobriu-se que além do local visitado, a cultura da população e a sua
realidade passam a ser valorizadas, conferindo assim um poder a essas pessoas,
antes marginalizadas, de adquirir uma forma de subsistência e afirmação
cultural. Essa inclusão garante o bem-estar social buscado nas cidades e na
possível solução de problemas inerentes da vida em sociedade.
O próprio turista aprende novas
formas de cultura e transforma seu modo de se relacionar com o mundo em sua
volta. Permitindo assim que grandes barreiras que assombram nossa civilização há
muito tempo, como o preconceito, a intolerância e a imposição cultural, sejam
demolidos pouco a pouco até que finalmente sejam extirpados da mentalidade
humana.
Nesse processo, percebe-se uma
verdadeira troca de valores que permitem a ampliação das perspectivas sobre o
mundo e no relacionamento social. O turismo é mais do que simples forma de
aquisição de capital estrangeiro e promoção do imaginário construído sobre um
determinado lugar. Ele é uma verdadeira arma de transformação e crescimento da humanidade,
atuando diretamente na forma de estrutura fundamental para sua existência: a
sociedade.
O artigo 180 da Constituição
Federativa do Brasil diz: “A União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator de desenvolvimento
social e econômico.” Para o turismo acontecer em uma determinada área, o
planejamento urbano e político do turismo deve está centrado no equilíbrio o
econômico e o social. Além de observar as opiniões dos diversos pontos de
vistas, entre eles:
•
O Setor Público tem a obrigação de promover e incentivar
o turismo na região.
•
O Setor Privado fomenta a economia e realizam a
atividade turística através da prática.
• Os Residentes locais precisam ser ouvidos e
participar do processo decisório da atividade turística.
• Os Turistas e Excursionistas são pessoas que saem de seus
lares para conhecer outras localidades, sua história e cultura ou simplesmente
desfrutar de seu lazer.
• A Universidade é responsável em produzir
conhecimento através de pesquisas e orientar e planejar a atividade turística.
O planejamento da política de
turismo é fundamental para o desenvolvimento da localidade e do bem estar dos
residentes, turistas e excursionistas. O qual deve ser feito de forma
participativa e descentralizada.
E para alcançar essa promoção
social, no artigo 217 § 3º diz: “O poder público incentivará o lazer, como
forma de promoção social.” É através do planejamento e a diversificação de
áreas de lazer que atingirá o equilíbrio buscado.
Estudar turismo é uma forma de
evoluir em conhecimento sobre a mentalidade humana, suas estruturas e
motivações. É um meio de trabalhar não somente com os visitantes, mas ainda com
o local visitado e os anfitriões, dando valor e respeitando sua cultura, além
de batalhar pela melhoria nos seus padrões de vida. Enfim, transpassa as salas de
aula e os professores, sendo maior que um simples conhecimento acadêmico. É na
verdade um construtor de seres humanos transformadores e em constante
transformação junto à evolução da humanidade.
Nós representantes da Universidade
Federal Rural do Rio de Janeiro estamos aqui hoje para dizer a vocês que o
turismo que estamos estudando na academia é muito maior que o comentado nos
veículos de comunicação. Podem estar certos de quando estivermos colocando em
prática nossos conhecimentos, não abandonaremos nossas convicções. Lutaremos
para que seja realizada uma atividade turística realmente planejada e
desenvolvida em prol de todos.
Matheus de
Castro P. Souza
Michel
Guimarães de Souza